Lercio Teotonio Gontijo
Especialista em Tecnologia da Informação
Histórico do projeto Libertas
Relato histórico do surgimento do Projeto Libertas Desktop Linux na
Prodabel/PBH
Desde 1995, a Prefeitura de Belo Horizonte, através da Prodabel, vem utilizando Software Livre nos servidores da Internet, equipamentos que disponibilizam páginas Web da administração municipal, armazenam as caixas postais dos servidores públicos e que permitem acesso, via rede telefônica, à Rede Mundial de Computadores.
Também já implantado, e com efetividade e eficiência, o Projeto Internet Cidadã, onde são três os Centros de Internet Cidadã, que oferecem acesso gratuito ao público, concebidos na plataforma GNU/Linux. Estão eles no Centro de Cultura de Belo Horizonte (rua da Bahia), na Escola Profissionalizante Raimunda Soares (Pedreira Padre Lopes) e na Escola Municipal Milton Campos (Venda Nova).
Software Livre na Prefeitura de Belo Horizonte, é uma realidade concreta. Hoje aproximadamente 70% de todos os serviços do ambiente de produção em servidores da Rede Municipal de Informática (RMI) já usam o sistema operacional Linux (A MAIORIA DOS SERVIDORES INTERNET 90%, ex: CORREIO ELETRÔNICO, SERVIDORES WEB). Quanto às estações-clientes(desktops), 15% delas já utilizam o Libertas Desktop Linux como sistema operacional. E com projeto de inclusão digital da PBH nas Escolas Públicas, este número aumentará muito em estações-cliente (desktops).
A origem
A história do Software Livre tem origem na década de 70. Programadores de computação costumavam trabalhar de forma cooperativa, trocando informações e códigos de programas, que podiam ser modificados e reutilizados. Esses profissionais eram conhecidos como hackers.
Não é sem razão, portanto, que o movimento de Software Livre teve no hacker Richard Stallman um de seus grandes impulsionadores. Programador do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), Stallman lançou, há 17 anos, a idéia de se criar toda uma base para o desenvolvimento de Software Livre. Após demitir-se do MIT, dedicou-se aos projetos GNU (sistema operacional de código aberto, sem restrição de uso, modificação e reutilização), editor de texto Emacs e à idéia de liberdade para os usuários ajudarem-se mutuamente. Em 1991, o finlandês Linus Torvalds criou, em seus projetos de pesquisa, um Kernel (parte vital de um sistema operacional) chamado Linux, que, em 92, agregado ao GNU, resultou no sistema GNU/Linux. Esta combinação disponibilizou todos os principais componentes de um sistema operacional compatível com o Unix. Garantiu-se, então, por meio da criação da licença GPL (General Public License), a condição legal para a liberdade de uso do Software, bem como do conceito de copyleft, criado a partir do copyright (direito autoral), com a finalidade de garantir a não apropriação de softwares por quem quer que seja, permitindo, assim, a livre distribuição, uso e modificação.
Liberdade vai além da tecnologia
A concepção de liberdade, presente nos lemas de grandes projetos, aplica-se com propriedade à proposta de envolvimento da Prodabel e da Administração Municipal de Belo Horizonte ao Projeto Software Livre, a que estamos nos propondo.
Mais do que exclusivamente tecnológico, o projeto de Software Livre apresenta variáveis que permitem aos usuários da informática uma visão e contato mais abrangentes acerca dos impactos e condicionantes a que são submetidos pela tecnologia Algumas concepções atualmente difundidas de que Software Livre é sinônimo de Software gratuito levam a limitações inadequadas para a magnitude da proposta de uso e produção de software alternativo, que, mesmo tendo custos, podem ser considerados muito mais baixos do que os programas proprietários.
A história do Software livre começou com a produção de sistemas operacionais ou Software básico, o que era natural, por ser a primeira camada de programas a funcionar no hardware. O avanço da proposta de produção de Software alternativo chegou a patamares não imaginados há três anos. Hoje, produz-se , com muita qualidade, programas abertos nas áreas de gerenciadores de bancos de dados, sistemas operacionais em várias escalas e configurações, aplicações diretas de usuários finais, gerenciadores de rede e uma infinidade de programas que nos permitem afirmar a possibilidade de que determinados ambientes computacionais possam usar, exclusivamente, Software Livre.
A Prodabel, nesse contexto, deve apresentar soluções fora do eixo capitalista-monopolista da informática mundial, não se permitindo atuar como mera repassadora e usuária de programas alternativos. Como empresa de tecnologia e, por atribuição, empresa de informática e informação, deve saber apropriar-se desses princípios de produção e uso de Software Livre para se apresentar, com suas capacitações, à comunidade de informática com um dos intervenientes capazes de transformar a realidade imposta pelo Software proprietário. Mais do que uma questão de sobrevivência, torna-se uma questão estratégica para a empresa, visto que a tendência das empresas de tecnologia é mostrar resultados com maior produtividade e menor aporte de investimentos, situação propícia para a incorporação de programas abertos na Administração Municipal e que identifique claramente Belo Horizonte como cidade aberta à tecnologia não-proprietária e sintonizada com o desenvolvimento tecnológico mundial e participação no avanço das tecnologias a serviço da cidadania.